| HISTÓRICO
A história da Base Aérea de Santa Cruz está ligada ao período
colonial. Neste local, a Fazenda de Santa Cruz, o Rei de Portugal, D. João VI, e o
primeiro imperador brasileiro, D. Pedro I passaram grande parte de suas vidas. Essa
fazenda, local de descanso da Família Real, teve importante significado, para o
desenvolvimento da região que a cercava.
Em março de 1934, o governo brasileiro autorizou a empresa alemã "Luftschiffbau
Zeppelin" a estabelecer uma linha aérea regular entre o Brasil e a Europa. Foi
escolhida a Fazenda de Santa Cruz para a construção de um aeroporto para dirigíveis.
Dois anos mais tarde, o aeroporto, ao ser inaugurado, recebeu o nome de Bartolomeu de
Gusmão. A expansão das atividades aéreas, com a conseqüente evolução de conceitos e
doutrinas afetos à aviação, trouxe uma dimensão maior ao embrião que tornar-se-ia
essa legendária Base Aérea.
Com o advento da 2ª Guerra Mundial, a Base Aérea de Santa Cruz engajou-se no esforço
bélico, recebendo, transferido do Campo dos Afonsos, o 1º Regimento de Aviação e com
ele a missão de patrulhar de nossas águas litorâneas. Mantinha também uma Unidade de
Treinamento Básico de Aviação, cuja finalidade era a de formar reserva de pilotos do
1º Grupo de Aviação de Caça que lutava na Itália.
Ao término da Guerra, o 1º Grupo de Caça retorna à Santa Cruz e com a nova
organização da Força Aérea, foi extinto o 1º Regimento, passando a chamar-se Base
Aérea de Santa Cruz.
Com um passado de glórias e muitas tradições, a Base Aérea de Santa Cruz, é hoje,
dentro do contexto do Ministério da Aeronáutica, o maior complexo aéreo de combate da
Força Aérea Brasileira.

ZEPPELIN
Em 1933, os alemães da Companhia
Luftschiffbau Zeppelin vieram ao Brasil escolher a área apropriada para pouso e abrigo
dos Zeppelins. Após meticulosos estudos climáticos, direção dos ventos, velocidade e
também possibilidade de meios de transporte, foi escolhida a área próxima à Baía de
Sepetiba. Essas terras foram doadas pelo Ministério da Agricultura e totalizavam 80.000m2
.
No ano seguinte, o Hangar concebido por engenheiros alemães, começou a ser construído
pela Companhia Brasileira "Construtora Nacional Condor" que seguia as
instruções do gigantesco Kit fornecido pelos alemães. Um acordo entre o governo
brasileiro e a Companhia Alemã previa a construção de um aeródromo no local, que mais
tarde foi denominado Bartolomeu de Gusmão.
Além da contrução do Hangar, foi instalada também uma fábrica de hidrogênio para
abastecer os dirigíveis e uma linha ferroviária ligando o aeroporto à estação de D.
Pedro II.
Finalmente, em 26 de dezembro de 1936, o Hangar foi inaugurado com a ativação de uma
linha regular de transportes aéreos que ligava Frankfurt ao Rio de Janeiro com escala em
Recife e contou com a presença do então presidente Getúlio Vargas.
Logo que começaram a chegar os primeiros dirigíveis, era preciso 200 homens que ficavam
na pista para ajudar a atracá-los, segurando seus cabos, apelidados de
"aranhas". Havia uma torre onde a proa ficava atracada, enquanto a popa era
engatada a um carro gôndola, feito para receber o cone e que entrava no Hangar para
desembarque dos passageiros e manutenção, feita pela própria tripulação.
No Hangar, tudo tem proporções imensas. Com 270 m de comprimento, 50 m de altura e 50 m
de largura, o Hangar do Zeppelin está orientado no sentido Norte/Sul. O portão Norte,
com 28 m de largura e 26 m de altura só servia para ventilação e saída da torre de
atracação e só abre manualmente. O portão Sul, o principal, abre-se em toda a altura
do Hangar e possui duas folhas de 80 toneladas cada uma. Estas portas podem até hoje ser
abertas elétrica ou manualmente, utilizando o sistema original.
O uso do Hangar foi efêmero e em 1937 o último Zeppelin decolava do aeródromo após
nove viagens ligando o Brasil à Europa. Dentre essas viagens, quatro foram realizadas
pelo Hindenburg e cinco pelo Graf Zeppelin.
Quando o aeroporto Bartolomeu de Gusmão foi transformado em Base Aérea de Santa Cruz em
1941, o Hangar passou a abrigar as diversas Unidades Aéreas que ali se instalariam ao
longo dos anos.
O "Zeppelin" vai vencendo de forma heróica sua luta contra todas as
adversidades do tempo e, apesar da proximidade com o mar da Baía de Sepetiba, ainda não
sofreu problemas de oxidação que lhe causassem danos significativos.
Cabe ressaltar que, atualmente, este é único Hangar para Zeppelins existente no mundo,
pois os outros dois que foram construídos, um na Alemanha e outro nos Estados Unidos, já
não existem mais. E é por esta razão que o Hangar do Zeppelin constitui um importante
marco na história de Santa Cruz, do Rio de Janeiro, do Brasil e do mundo e mais do que
nunca, precisamos preservá-lo.
Curiosidades do Zeppelin
As
instalações elétricas são revestidas por uma blindagem para evitar o surgimento de
qualquer fagulha, o que poderia causar um incêndio nos dirigíveis.
Todo o hangar
é servido por pequenos carrinhos na parte superior, usados para inspecionar e fazer
reparos na estrutura dos dirigíveis.
Existe até
hoje na Base Aérea de Santa Cruz, uma gigantesca esfera de açoque era utilizada como
depósito de hidrogênio. Esta esfera foi transformada em reservatório de água com
capacidade de 3 milhões de litros.
No interior
do Hangar existem duas escadas com patamares, uma de cada lado, e um elevador elétrico
que transporta 450 kg de carga e se move a uma velocidade de 1 m/s.
O tempo gasto
para abrir o portão Sul é de 6 minutos.
O Hangar
possui três pontos de reabastecimento, um em cada extremo, e um no meio, com tomadas para
gases hidrogênio, propano, butano, água e eletricidade.
No topo do
hangar, existe uma torre de comando que está a 61 m de altura e de lá pode-se avistar
toda a área desde Sepetiba até o Rio Guandu.
Só existiu
um acidente durante o período que os Zeppelins operaram em Santa Cruz, que ocorreu quando
um dos homens que seguravam as cordas não as soltou após ser dada a ordem para que as
mesmas fossem liberadas. Ele subiu com o dirigível, até que alguém avisou à
tripulação, que resolveu retornar. O referido homem quebrou algumas telhas e machucou as
pernas.
O Hindenburg
possuia 245 m de comprimento, 41,5 m de diâmetro, voava a 135 km/h com autonomia de 14
mil quilômetros e tinha capacidade para conduzir 50 passageiros e 45 tripulantes.
O Graf
Zeppelin possuia 213 m de comprimento, 5 motores, transportava 35 passageiros e 45
tripulantes.
UNIDADES ALOCADAS NA BASC:
4º Esquadrão do 7º GAv - Grupo de Aviação
Esquadrão Cardeal
1º/1º GAvCa - 1º Esquadrão do 1º Grupo de Aviação de Caça
Esquadrão
Jambock
2º/1º GAvCa - 2º Esquadrão do 1º Grupo de Aviação de Caça
Esquadrão
Pif-Paf
1º/16º GAv - 1º Esquadrão do 16º Grupo de Aviação
Esquadrão Adelphi |